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HISTÓRIA DO BRASÃO

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PROJECTO DE BRASÃO, SELO E BANDEIRA PARA A VILA DE S. PAIO DE OLEIROS

 

MEMÓRIA DESCRITIVA E JUSTIFICATIVA

 

O escudo é terciado em pala.

 

O primeiro terço, de azul, inclui peças de algum modo relacionadas com a terra: a agricultura e a olaria.

No cantão direito do chefe, uma meda, de prata,  pretende simbolizar o trabalho rural, a actividade que mais marcas deixou na toponímia da localidade. Isso acontece, por exemplo, com os lugares do Agro-Velho, Lameiro, Eirado e  Fial. Este último nome, aliás,  segundo  Joseph  Marie Piel  (in  “Novos  Ensaios de  Toponímia  Ásture-Galego-Portuguesa”), significa “meda de feno”, pelo que se preferiu este elemento figurativo à tradicional gavela de trigo, dado ter muito mais relação com a história oleirense. Um forcado é incluso nesta peça, não só porque se trata de um utensílio com que se construía a meda, mas também para evitar possíveis ambiguidades de interpretação do primeiro elemento.

O flanco direito é ocupado pela representação de uma roda de oleiro, de prata, objecto multissecular que evoca aquela actividade que, de acordo com a tradição local e vários autores, deu o nome a Oleiros. Essa hipótese é, aliás, fortalecida pela existência do lugar das Barredas e pela proximidade, no lugar da Bessada da vizinha freguesia de Nogueira da Regedoura, mesmo atrás da Concharinha, de uma rua denominada da Soenga (soenga = forno de cozer louça), que atesta terem existido oleiros nas imediações.

 

O segundo terço, de prata, inclui peças relacionadas com o poder: o espiritual (o céu, a parte cimeira) e o temporal (a terra, a parte inferior). É, pois, encimado pela representação do padroeiro da paróquia, S. Paio, de sua cor, elemento que se consideraria grave omitir, porquanto a freguesia, de acordo com o decreto n.º 2/71, de 7 de Janeiro, denomina-se S. PAIO de Oleiros, copiando assim a designação tradicional da paróquia, que já o era de “Sancti Pelagii de Oleyros” em 1288, por altura das inquirições régias no Julgado da Feira da Terra de Santa Maria.

 

Não restam dúvidas ao autor deste projecto, por razões históricas facilmente demonstráveis, que se deve tratar do jovem S. Paio martirizado, em 925, às ordens do califa maometano Abderramão III e cuja imagem ladeia o altar-mor da igreja matriz oleirense, e não do velho S. Paio dominicano, cuja estátua, por qualquer inexplicável confusão ou só porque se tratava de uma imagem muito antiga e por isso muito valiosa, foi colocada na frontaria da igreja, no denominado “nicho do padroeiro”.  

O poder temporal é representado pela inclusão, no contra-chefe, do Castelo da Feira, de grenã, o qual, segundo o historiador José Mattoso, era a sede da administração da Terra de Santa Maria desde provavelmente o reinado de Afonso III de Leão (866-910).

 

O terceiro terço do escudo, de azul, regista figurativamente algumas das actividades dignas de realce na história de S. Paio de Oleiros. Pretende-se destacar:

1.º - o fabrico do papel, bem documentado desde a segunda década do século passado e que teve como expoente máximo a fábrica de Joaquim de Sá de Couto, citada em todas as enciclopédias. Além disso, foi em S. Paio de Oleiros que, muito antes deste privilégio ser concedido à Companhia do Papel do Prado (Cf. “Guias-Dicionários Regionais” - Vol. I, Edições GEDER), José  de Sá Couto Moreira obteve autorização do Estado para o fabrico do papel selado;

2.º - o fabrico  de bolos regionais (o pão-de-ló, o pão podre de Oleiros, o bolo de S. Bernardo), da responsabilidade da Casa Sameiro, em Vila Boa, que, sobretudo a partir dos anos trinta, foram vendidos com enorme sucesso em Espinho, como conceituadas especialidades regionais (Cf. o Guia já citado), emprestando renome à nossa terra.

Apesar de se reconhecer a importância da transformação da cortiça, que muito enriqueceu S. Paio de Oleiros, considera-se não ser uma indústria típica oleirense, pois é também característica de outras terras vizinhas. Deu-se, por isso, preferência ao papel (indústria) e à doçaria (afinal um trabalho artesanal), por serem  muito mais representativos desta vila e da sua história.

Daí a inclusão, no cantão esquerdo do chefe, de uma galga de trituração de papel velho,  de prata, máquina muito usual nas fábricas oleirenses, e, no flanco esquerdo, de um pão-de-ló, também de prata.

 

O primeiro e o terceiro terços são sustidos por três faixas ondadas de prata, interrompidas pela pala do segundo terço, representando os três rios que atravessam a vila ou que a delimitam. Consideram-se elementos importantes por terem contribuído para a indústria do papel e por terem influenciado a toponímia local (os lugares do Rio, do Ribeiro e do Pego são mencionados, em 1875, por João Maria Baptista na sua “Chorographia Moderna do Reino de Portugal)” e a própria antroponímia, no que diz respeito a nomes e alcunhas de pessoas da localidade, com exemplos em grande profusão no que toca pelo menos ao Ribeiro e ao Pego.

 

A coroa é de prata com quatro torres aparentes, sendo a primeira e a quarta mais pequenas que as restantes.

 

O listel , de branco, contém a legenda “VILA DE S. PAIO DE OLEIROS”, de preto e com letra do tipo “elzevir”.

 

A bandeira é esquartelada de grenã e branco, cores já tradicionalmente consideradas oleirenses e usadas por clubes desportivos da vila.

(texto fornecido por Anthero Monteiro)


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Última modificação: Thursday, 14 de February de 2008 10:20:55

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