Foi aqui neste lugar

entre o castelo e o mar

que se jogou meu destino.

Aqui vi primeiro a aurora,

aqui a vejo inda agora

com meus olhos de menino.

 

Minha terra idolatrada,

já não sei trocar por nada

os teus modos feiticeiros.

Até chego a sentir fome

de pronunciar teu nome,

dizer S. PAIO DE OLEIROS.

 

Lá do alto dos PENEDOS

eu perscruto os teus segredos,

deles chego a ter inveja.

E aquilo que mais me agrada

são os ecos, na QUEBRADA,

dos sinos da tua IGREJA.

 

Encontro o teu nome honrado

entre as quelhas do passado,

na memória dos caminhos.

Não é por te amar à toa

que eu esqueço VILA BOA

e os seus velhos pergaminhos.

 

Ó minha terra tão minha

que, a arquejar, o Vouguinha,

fez crescer aos olhos meus,

é aí nessa ESTAÇÃO

que me pára o coração

quando parto e digo adeus. 

Se estou longe, contrafeito,

trago um PESO no meu peito

e na garganta um TOJAL.

Chorando um PEGO de fel,

escrevo uma carta... e o papel

logo me lembra o CANDAL!

 

E não retiro da ideia

os verdes campos da ALDEIA,

no LAMEIRO eiras e medas.

De voltar dão-me o conselho:

chamam por mim o AGRO-VELHO

e os idílios das BARREDAS.

 

LAPAS, ESTRADA, AZEVEDO

pedem que regresse cedo,

que a minha terra não esqueça.

E não esqueço, terra minha,

nem FIAL nem CONCHARINHA,

nenhum me sai da cabeça.

 

Aqui estou... Não se resiste!

Quem podia andar tão triste

sem depressa aqui tornar?

Sem este belo horizonte

que vêem VALADO e MONTE

e se estende até ao mar?

 

Aqui vivo e sou feliz.

Deitei a minha raiz

e esse chão cá me retém.

E, após meus dias finais,

só quero afundá-la mais

no ventre da terra-mãe!

 

 

Anthero Monteiro

20 de Junho de 1998

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