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S. Paio de Oleiros
pertence ao concelho de Santa Maria da Feira desde antes da Restauração, com
um pequeno interregno de dois anos, entre 1926 e 1928, em que esteve
integrada no concelho de Espinho.
O topónimo Oleiros ter-lhe-á advindo , segundo a
tradição, corroborada por vários autores, da suposta proliferação de oleiros
na região e da abundância de barro. Como, porém , a qualidade desta é
bastante duvidosa e não restam da actividade da olaria senão alguns
vestígios de um telhal, não seria de pôr totalmente de parte a hipótese –
aliás colocada por Pinho Leal para vila homónima da Beira Baixa – de Oleiros
provir de “olleiros”, palavra castelhana e portuguesa antiga , na qual se
molham os “ll”, pronunciando-se “ olheiros”, e que significa “olhos” ou
“nascentes de água” que os mais velhos afiançam terem existido um pouco por
toda a freguesia ( e que ainda hoje rebentam em vários locais ), vendo-se,
então as pessoas obrigadas a enterrarem-se até ao joelho para passarem em
determinados sítios.
A escolha do jovem martirizado pelos Muçulmanos em 925 -
S. Paio (contracção de Pelágio) – para orago da freguesia deverá remontar ao
tempo dos moçárabes que, segundo António Mattoso , lhe prestam grande
devoção.
Pelo decreto n.º 2/71, de 7 de Janeiro, a freguesia,
copiando a designação secular da paróquia passou a denominar-se
definitivamente “ S. Paio de Oleiros”.
Apesar de referências toponímicas que fazem remontar a
história Oleirense ao Calcolítico (designadamente aos lugares da Lapa de
Cima e Lapa de Baixo – a meio caminho dos castros de Ovil e Murado - e o
já desaparecido topónimo Mamoa , constante do Foral Novo de D. Manuel I,
de 1514) e à época da Romanização (Vila Boa e Estrada), à primeira menção a
S. Paio de Oleiros de que se tem conhecimento é de 1050 e consta de um
inventário de bens pertencentes ao rico-homem Gonçalo Viegas e sua esposa,
D. Flâmula (Doc. N.º 378 dos Diplomata et Chartae, do Mosteiro de Pedroso),
facto que aliado ao Brasão dos Ataídes, comprova a existência de fidalguia
em S. Paio de Oleiros desde épocas pré - nacionais.
Através dos tempos, é possível encontrar outras alusões,
nomeadamente:
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Cartulário Baio - Ferrado do Mosteiro de Grijó (Abril de 1135),
documento relativo à doação de dois casais Oleirenses àquele mosteiro;
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Inquirições de D. Afonso II (1220)
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Inquirições de D. Afonso III (1251)
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Inquirições de D. Dinis (1288 – “ parrochia Sancti Pelagii de
Oleyros”) e respectiva sentença (“Sam Paayo de Oleiros”);-
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“Censual do Cabido da Sé do Porto “ (1923), relativo aos direitos
que a Igreja de Oleiros (“ Ecclesia Santi Pelagij de Oleyros”) devia pagar
àquela Sé;
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Foral de D. Manuel I (10/2/1514) concedido à Terra de Santa Maria
da Feira (que alguns autores dizem contemplar também o lugar de Vila Boa,
embora nos pareça tratar-se de um lugar homónimo da sede do concelho);
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“ Rol de freguesias dos julgados das terras de Santa Maria da Feira
em que se paga e em que se não paga portagem” elaborado por Fernão Lopes
em 1453 e baseado nas inquirições de D. Dinis;
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Catálogo dos Bispos do Porto – “Das Igrejas da comarca da Feira,
Suas Ermidas Freguesias e Rendimentos” (1742)..
A toponímia local é um
verdadeiro testemunho da freguesia rural proveniente do desmantelamento que
se produziu nas “vilas do Norte de Portugal” como é descrito por Alberto
Sampaio nos “Estudos Económicos”: Agro-Velho, Aldeia. Lameiro, Eirados, Fial,
(meda de feno), etc. Durante séculos, tal como elas , S. Paio de Oleiros
viveu do amanho das terras e da criação do gado. “Terra fértil”, dizia
Pinho Leal, “cria gado bovino que exporta para Inglaterra”.
Moinhos de água abundavam
nas ribeiras. Mas já nas “Memórias Paroquiais” de 1758 se diz que “Oleiros
não só tem moinhos, mas também engenho de papel”. Era o inicio de outra era:
em 1811, Joaquim de Sá Couto funda, no lugar do Candal a que haveria de ser
“uma das mais antigas e mais bem acreditadas fábricas de papel da Terra da
feira” (Pinho Leal), onde se fabricava papel de mortalha para tabaco e
papel selado, que muitos asseveram ter sido o primeiro do país, embora o seu
uso em Portugal pareça datar de 1660. Foram-lhe atribuídos vários prémios
em exposições nacionais e internacionais.
Destruída em 1854 e reedificada
em 1859, tinha motor hidráulico, empregava madeira como matéria prima e
produzia dezasseis contos de reis, dando emprego a 65 operários.
Em 1855, inaugurava-se uma
fábrica de fiação de algodão também premiada nacional e internacionalmente,
e a qual empregava 130 pessoas.
Ao advento da
industrialização correspondeu uma maior afluência de gente que duas
inaugurações quase simultâneas iriam incrementar:
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a da linha do Vale do Vouga, em 23 de Novembro de 1908 (com paragem
do Rei D. Manuel II na estação desta localidade);
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e a do Hospital-Asilo de Nossa Senhora da Saúde em 6 de Janeiro de
1909 – facto que mereceu honras de primeira em o “Primeiro de Janeiro” de
12 /1/1909 - , obra que decorreria das disposições testamentárias de Joaquim
de Sá couto e a que a revista “ A Medicina Moderna “ chama “ um monumento
de caridade”.
Outro motivo de afluência,
embora ocasional, e de divulgação da freguesia (e continuam a ser) os
festejos em honra de Nossa Senhora da Saúde e que se realizam desde os
tempos imemoriais, no mês de Agosto e que foram considerados uma das maiores
romarias do distrito de Aveiro.
A primitiva igreja dataria do
sec. X e estaria implantada no lugar de Vila Boa.
A Travessa da Igreja Velha
atesta que, junto ao cemitério actual, existiu outra Igreja, não se sabe
desde quando até à construção actual pelo P.e José Ferreira de Almeida em
1885. Esta “mede 35,15 m, torre com 48 metros, 3 sinos, bom altar - mor em
renascença D. João V e mais quatro altares laterais maiores e dois
menores. Tem amplo coro, esmerado baptistério e duas excelentes e amplas
sacristias . Custou 200 contos. “(Cónego Dr. Ferreira Pinto, in “Actividade
Pastoral” – 1950).
S. Paio de Oleiros foi curato
anual da apresentação do reitor de S. Miguel de Arcozelo, no Termo da
Feira, e passou mais tarde a reitoria independente.
Anthero Monteiro |
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