História do Papel
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HISTÓRIA DO BRASÃO

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Região papeleira Terras de Santa Maria
A Real Fábrica de Nossa Senhora da Lapa, S. Paio de Oleiros, hoje conhecida como Engenho Velho foi a primeira fábrica de papel do concelho de Santa Maria da Feira, tendo sido fundada, em 1708, pelo genovês José Maria Ottone, ou Ottom, de sociedade com Vicente Pedrossen, capitalista da cidade do Porto. Conhecedor da arte de fabricar papel, José Maria Ottone chegara a Portugal em finais do século XVII, tendo conseguido de D. Pedro II um alvará real, que lhe conferia a concessão de todo o fabrico de papel desde o Minho até ao Douro. Na sequência deste privilégio, ou graças a ele, estabeleceu-se na cidade de Braga, fundando uma manufactura papeleira, em 1706. pesar da sua curta estadia na fábrica da Lapa ¾ por volta de 1713, já fabricava papel num pequeno engenho na Lousã, tendo em 1716 fundado a, ainda hoje importante, Fábrica de Papel da Lousã ¾, o tempo fora bastante para que esta indústria ganhasse raízes e se difundisse rapidamente por todo o concelho e pela maioria dos concelhos vizinhos que integram as antigas Terras de Santa Maria, com destaque para os concelhos de Oliveira de Azeméis e de Castelo de Paiva.  


Fábrica de Nossa Senhora
da Lapa (Engenho Velho).
S. Paio de Oleiros, Feira.

Fábricas de papel/séculos XVIII-XIX ¾ Região papeleira Terras de Santa Maria

Fundadores

Fundação

Lugar

Freguesia

Concelho

José M. Ottone e Vicente Pedrossen

1708

Engenho Velho

S.Paio

de

Oleiros

Feira

Dr. Manuel José Athaíde Magro

1813

Cardenha

Francisco Alves da Cruz

1815

Pego

José de Sá Couto

1820

Candal de Cima

Francisco da Paula Cabral

1820

Zabumba

Manuel dos Santos Ramalho

1848

Aldeia

Manuel Gomes da Silva

1849

Aldeia

Padre José Pinto de Almeida

1795

Engenho Novo

Paços

de

Brandão

Lourença Pinto e Joaquim de Carvalho

1822

Rio Maior

Francisco José de Azevedo

1825

Joaquim de Carvalho

1827

Francisco José de Azevedo

1840(?)

José do Custódio

1870(?)

Manuel Francisco da Costa

1898(?)

Candal

Manuel Pinto de Almeida

1844

Azenha de Baixo

João José de Azevedo

1846

Azenha de Cima

J. Vieira de Castro e A. J. Pereira da Rocha

1849

Fonte Infesta

José Pinto

1820

Mourão.

Rio Meão

Manuel Rodrigues de Barros

1827

Tapada do Moinho

Nogueira

Jerónymo José Pinto

1824

Lage

Geão

Francisco Pinto Henrique de Menezes

1836

Castelo

Paramos·

José Pinto da Conceição Avellar

1843

Gualtar

Fiães

Bernardo José Pereira

1844

Ervideira

Canedo

José Moreira Pinto

1848

Ponte Redonda

Silvalde*

Lourenço Alves da Silva

1849

Engenho

S. Jorge

José Luiz Dias

1850

Vargem

Canedo

Padre João Moreira da Silva

1831

Pedra da Figueira

Raiva

Castelo

de

Paiva

Manuel Moreira Aranha

1832

Lasseiras

Manuel Vieira de Andrade

1845

Foz do Ribeiro

Joaquim Oliveira Ferramenta

1856

Escaravelheira

Oliv.Azeméis

Oliveira

de

Azeméis

Francisco Assis Pereira Carvalho

1858

Póvoa

Carregosa

Padre António José Godinho

1842

Pombarinho

Pindelo

Manuel da Silva Ribeiro

1834

Ponte

Palmaz

António da Carvalho

1855

Loureira

João Pereira de Queiroz Basto

1850

Balaido

Fermedo

Arouca

Padre José Alves de Carvalho.

1844

Arca Pedrinha

S. Cristovão

Ovar

 

 


Antiga fábrica do Dr. Belchior.
Nogueira da Regedoura, Feira.


Fábrica do Zabumba.
S. Paio de Oleiros, Feira.


Fábrica da Cardenha
S. Paio de Oleiros, Feira.


Fábrica da Ponte
do Cascão. Geão, Feira.


Fábrica da Foz do Ribeiro.

 
Fábrica da Azenha, Paços de Brandão.
Fabricante Manuel Pinto de Almeida

A personalização das marcas de água é a característica mais marcante do papel de escrita produzido nos séculos XVIII e XIX, nas fábricas do concelho de Santa Maria da Feira. Tal como no resto da Europa, esta personalização das marcas de água toma diferentes formas, sendo uma das mais comuns, o registo dos nomes dos fabricantes por extenso, podendo também o fabricante limitar-se à indicação das iniciais do seu nome ou a uma alusão abreviada da à localização geográfica da fábrica produtora.

A este processo de identificação e personalização do papel não foi alheio o surgir de um número crescente de papeleiros que progressivamente se afirmam como fabricantes de papel ou proprietários de engenhos de fazer papel. O facto de alguns dos novos fabricantes serem oriundos de um grupo não privilegiado, antigos mestres de engenhos de papel ou pequenos proprietários rurais donos de moinhos farineiros, fez surgir a necessidade de criar uma identidade para o papel.

Deste modo, as marcas de água pretendiam ser o que, em nossos dias, definiríamos como um “logotipo”, destinado a estabelecer uma demarcação, da fábrica ou do fabricante, face à concorrência de mercado. A marca de água torna-se, assim, o mais identificadora e pessoal possível.

O grupo aristocratizado que, atento às mudanças da história, havia investido em novas formas de produção de riqueza, vendo a sua situação tradicionalmente elitista posta em perigo, regista na marca de água o seu brasão. 

 

 

Entre 1859 e 1861, Manuel Pinto de Almeida das fábricas da Azenha, em Paços de Brandão, foi fornecedor exclusivo de papel selado, então chamado Tesouro Público. O modelo do desenho da marca de água a figurar em cada meia-folha de papel azul, era rigorosamente respeitado, de acordo com as condições para o fornecimento de Papel Selado, estabelecidas pelo Estado Português.

 
Fábrica da Cardenha, S. Paio de Oleiros.
Fabricante Joaquim de Sá Couto.

Fábrica de Mourão, Riomião. 
Fabricante José Pinto.

Real Fábrica da Lapa, (Engenho Velho),
S. Paio de Oleiros.
Fabricante José Moreira da Costa.

Fábrica do Engenho Novo, Paços de Brandão.
Fabricante João José de Azevedo Aguiar Brandão


Papel selado de Paços de Brandão.
Fábrica da Azenha de Manuel Pinto de Almeida.

informção retirada do site: http://www.imultimedia.pt/papel/historia.htm

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Última modificação: Thursday, 14 de February de 2008 10:21:05

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